Pedofilia: um assunto a ser tratado
A pedofilia sempre existiu. Porém, com os meios de comunição avançados, a aproximação de pedófilos às nossas crianças foi facilitada. Para podermos prevenir este mal, é necessário entender como o pedófilo age e os sinais dados pelas crianças atingidas, que muitas vezes passam despercebidas pelos próprios pais. Obter informações, discuti-las e refletir sobre estas é o primeiro passo para a prevenção. Porém, logo aí já surgem diversas dúvidas que permeiam na cabeça dos pais, professores e outros – como é que falarei sobre o assunto com a criança?
Quando isso acontece é que percebemos que o assunto sexualidade ainda é muito difícil de ser conversado. Quem é que nunca perguntou para os pais o que é sexo e recebeu uma resposta sem muito esclarecimento? Os pais acham que, normalmente, a criança ainda não está madura para entender o que é a sexualidade e acabam por postergar a conversa. Na escola, alguns educadores pensam que as crianças já aprenderam isso em casa e não aprofundam o tema. Como então falar da pedofilia, que é um passo à frente da sexualidade, se agimos ainda desta forma?
Não existe forma de explicar à criança quais os limites do corpo e da privacidade de toques e carícias sem antes falar sobre a sexualidade. Mas antes é necessário definir a sexualidade. O conceito mudou após descobertas da psicanálise: a sexualidade deixou de ser puramente sexual e passou a envolver tudo aquilo que busca o prazer e a satisfação. Ela envolve actividades practicadas desde a infância e que proporcionam prazer ao satisfazer uma necessidade do próprio corpo, como a amamentação em bebés, respiração, brincadeiras e outras coisas, assim como envolve as sensações corporais e questionamentos quanto ao próprio corpo. Por isso, quando se fala da sexualidade infantil, não significa falar sobre o acto sexual ou pornográfico da criança.
Depois que estes temas foram abordados, será mais fácil explicar sobre abuso sexual em geral sem preconceitos e medos.
Voltemos então à pedofilia: o que é, como ocorre e o que fazer?
1. Conceito
A pedofilia é, na realidade, uma forma de perversão, na qual a preferência sexual é voltada às crianças e adolescentes de forma descontrolada e compulsiva. O pedófilo não tem um perfil característico. Pode ser qualquer pessoa normal e com perfil de boa índole, além poder ser uma pessoa que está bem inserida na sociedade.
2. Perfil de um pedófilo
Ele pode estar presente em qualquer tipo de grupo social e também ser membro ou amigo da família da criança abusada. Não raramente pode-se “encontrar” o pedófilo em locais públicos frequentados por crianças como playgrounds, educandários, escolas, igrejas ou consultórios médicos. O pedófilo busca atenção e amizades das crianças e prefere também a companhia dos pequenos. Tem dificuldade de relacionamento com adultos ou evita-os. Ele também tende a agradá-las demais e procuria ficar sozinho com estas. Gosta muito de fotografá-las. Não mede os gastos com as crianças, é sedutor e gentil. Sua casa tem decoração que atrai as crianças. Estas características comuns de pedófilos também podem encaixar-se com de qualquer outra pessoa. Portanto, cuidado ao denunciar sem provas conclusivas.
3. Como ele actua
O pedófilo não é explícito em suas atitudes. Ele seduz a criança devagar e a “conquista”. Ele promete doces e diz que aquilo fará bem à criança, etc. Através de chats na internet, é comum que o pedófilo apresente-se como uma criança também. Ele utiliza linguagem infantil e persuade a criança a retirar suas roupas, mostrar se e enviar fotos de si. Em casa, se o pedófilo forda família ou amigo próximo desta, existem as ameaças além da sedução. O pedófilo diz então que, se a criança contar, será morta ou ninguém mais vai gostar dela, etc. É um jogo de poder com ameaças, sedução e cumplicidade. Em diferentes pesquisas realizadas, foi possível perceber que o pedófilo age normalmente à noite e quando a casa está vazia, mesmo na internet. O abuso sexual directo é normalmente cometido pelos mais próximos. Muitas vezes os próprios pais, irmãos mais velhos, padrastos e vizinhos. Na internet fica mais difícil – a pedofilia acontece normalmente através de intermediação comercial. São fotos e filmes comercializados e comprados por pessoas que não são muito saudáveis sexualmente.
4. Sinais de pedofilia
Existem alguns sinais que a criança vítima da pedofilia pode manifestar. Vale ressaltar que são indícios e não provas conclusivas! Caso haja suspeita, exige-se extrema cautela nas conlusões a serem tiradas e agir com calma. É necessário transmitir segurança à criança para que ela conte o que está a acontecer, sem castigos. A criança pode estar a se sentir envergonhada ou culpada pelo o ocorrido, por isso cála-se.
4.1 Sinais do comportamento
A criança demonstra-se depressiva e tem dificuldade de dormir. Tem pesadelos. Quando é tocada, sente incómodo. Tem interesse em assuntos sexuais e seu comportamento pode alterar subitamente com agressividade, recusa de carinhos, auto-depreciação do seu corpo, faz desenhos e textos com conteúdo sexual. Ela também tem medo de sair sozinha ou ir à escola. Ela brinca de simular actos sexuais com outras crianças ou com objectos. Pode ser que evite alguma determinada pessoa, mesmo que seja um familiar próximo.
4.2 Sinais do corpo
A criança abusada pode apresentar lesões nos genitais ou na boca. Pode também apresentar hematomas que não sabem explicar, além de doenças sexualmente transmissíveis.
5. O que devo fazer para evitar que isso aconteça
- Diga às crianças que, se alguém tocar no seu corpo e fazer coisas estranhas que são desconfortáveis, elas deverão afastar-se desta pessoa, mesmo se essa pessoa a ameaçar. Ela não precisa ter medo e deve pedir ajuda.
- Ensine a criança a não aceitar dinheiro ou outras coisas e nem convites de pessoas que não conhece
- Vigilância: é necessário supervisionar a criança. Mesmo que seja difícil protegê-las de abuso por parte de membros da família ou conhecidos, fique sempre atento ao comportamento e relacionamento da sua criança com a pessoa.
- Esteja ciente de onde sua criança está e o que ela faz.
- Peça para adultos responsáveis ajudarem a vigiar as crianças quando os pais não podem fazê-lo.
- Se não for possível supervisionar sempre, peça que seu filho fique sempre perto de outras crianças e explique que é melhor estar sempre com um companheirinho ao lado.
- Conheça os amiguinhos do seu filho, principalmente aqueles que são mais velhos que seu pequeno.
- Ensine seu filho a cuidar da própria segurança.
- Oriente-o para sempre pedir ajuda a outro adulto quando sentir necessidade.
- Explique para seu filho que, em situações de perigo, pode gritar e correr sem vergonha para chamar atenção.
6. O que fazer se isso acontecer com meu filho
A criança que sofre abusos normalmente não contará e nem avisará o que está acontecendo. Além disso, muitos daqueles que a abusam fazem ameaças ou convencem a criança de não contar para ninguém. Portanto, se você perceber qualquer comportamento estranho do seu filho, incentive-o a falar sobre o que aconteceu sem censura ou repreensão. Demonstre segurança e compreensão e elogie-o por ter contado. Enfatize que a culpa do ocorrido não é da criança. E por fim, ofereça protecção à criança e faça de tudo para que o abuso termine, mesmo que o abusador seja membro da família.
7. Como proceder nos casos de abuso sexual
- Mesmo que a maior parte das acusações de abuso sejam verídicas, às vezes existem acusações falsas no caso de situações familiares complicadas. Portanto, muita cautela é necessária.
- Informar as autoridades de qualquer suspeita de abuso;
- Leve a criança imediatamente ao médico da família ou pediatra, para que o corpo da criança seja analisado para saber qual o grau da agressão, caso houver.
- Um psicólogo ou terapeuta deve consultar a criança abusada. Assim é possível determinar as consequências do caso na criança.
- No momento em que a criança decidir contar sobre o abuso, os pais ou responsáveis devem apoiá-la com muito carinho. Assim a criança dá o primeiro passo para reestabelecer confiaça nos outros e em si mesma.
- Se a criança tiver que testemunhar sobre seu agressor, escolha momentos mais descontraídos e métodos indirectos para evitar o confronto com o agressor.
Em qualquer caso de violência contra crianças, denuncie. A denúncia ainda é a forma mais eficaz de prevenção. Ficar quieto só estará a incentivar mais crimes como este.
Caso queira denunciar alguma página de internet que faz apologias à pedofilia, denuncie em: http://linhaalerta.internetsegura.pt/
Para todos os casos de abuso, entre em contacto com a polícia!






