Filho único – será?

filhounicoHá alguns anos era muito difícil encontrar famílias que fossem compostas por pai, mãe e um só filho. Famílias imensas reuniam-se aos domingos, com um monte de crianças a correr para lá e para cá. Hoje, as coisas mudaram. Os pais têm preocupado-se cada vez mais com suas carreiras e têm menos tempo para criar seus pequenos. Acabam então por ter somente um filho. Mas será que a criança seria feliz se fosse filho único? É normal encontrar rótulos para filhos únicos: mimado, tirano, solitário. Também existem aqueles que acham que estes são mais independentes, precoces e bem sucedidos. O equilíbrio e a harmonia destas características está nas mãos dos pais e da educação dirigida ao filho.

Um filho único cresce de forma completamente diferente do que aqueles que têm irmãos. Irmãos compartilham experiências e descobertas, enquanto o filho único passa por tudo sozinho. Enquanto os pais trabalham e não passam maior parte do seu tempo com seu único filho, estes passam a se sentir culpados pela ausência e acabam por satisfazer o filho com bens materiais. Isso leva a uma dominação dos pais pelo filho. Ele terá o que quer como compensação da ausência dos pais.

O que acontece também é a diferença no padrão psicológico dos filhos únicos: normalmente estes têm uma maior dificuldade de relacionamento interpessoal, são mais isoladas e não conseguem tomar decisões sozinhos, pois sempre estão unidos excessivamente com seus pais.

Como então fazer para que isso não aconteça com seu filho?

É muito importante os pais passarem para o filho a ideia de que os pais são também indivíduos. Assim, ela deve respeitá-los como indivíduos e perceber que ela não se encontra na mesma posição que seus pais. São os pais que têm autoridade. Os pais também não devem fazer tudo o que a criança deseja. Eles têm que continuar a vida deles, manter interesses pessoais e amigos. A criança, desta forma, aprenderá que ela não é o único ponto de atenção dos pais.

Estimular convivência com outras crianças também é importante. Na escola, devem facilitar a socialização, chamar amiguinhos em casa, levá-los para practicar actividades colectivas. Assim, ela aprenderá sobre as regras de socialização, como ouvir aos outros e ceder.

Dar à criança tudo o que ela deseja também é um erro. Se isso for feito, ela crescerá com a impressão de que tudo é muito fácil de ser conseguido. Colocar limites é necessário para qualquer criança, seja ela filho único ou não. Assim, ela aprende a lutar pelo que quer e a lidar com frustrações.

Deve-se considerar também que o filho único carrega os sonhos e expectativas dos pais. Os pais podem acabar por se tornarem rígidos demais e cobram por todo e qualquer defeito. Isso pode fazer com que a criança se torne insegura e retraída.

Educar um filho único de maneira correcta não é impossível. Se ainda persistirem muitas dúvidas a respeito, uma conversa com um terapeuta ou psicólogo ajudará bastante.

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