Aborto espontâneo e suas consequências

luto

A gestação é um dos momentos mais importantes na vida de uma mulher. É na gravidez que a vida familiar muda completamente, gerando novas identidades e comportamentos.

O período da gravidez é marcado pelo início da ligação entre mulher e filho, já que ela carrega-o em seu ventre por 9 meses e o vínculo e as relações afectivas já surgem logo no primeiro mês. O filho é parte do corpo da mãe, e, mesmo antes de nascer, já divide experiências de vida com a mãe em nível íntimo e dependente. E assim, a partir do segundo trimestre, esta ligação é fortalecida por causa da movimentação fetal que inicia-se neste período.

Em alguns casos, a gravidez pode acabar em aborto espontâneo. Diferentes causas podem gerá-lo, mas sempre será uma dor muito grande para a mãe, para o pai e toda a família. A perda de um filho é um processo extremamente traumático e deve ser superado com muita ajuda.

A mulher, ao perder um filho na gravidez, desequilibra-se. Na maioria dos casos, as mulheres conseguem superar a dor do aborto sem perturbações psicológicas excessivas. Em outros, a depressão, o medo e a ansiedade tomam conta do dia a dia da ex-futura mamãe. Mas todas as mamães que perderam seus amados bebés devem ser acompanhadas por um psicólogo, para que determinadas sequelas do aborto sejam detectadas a tempo e não venham a gerar doenças mais graves.

Logo após o aborto, alguns sintomas naturais de luto aparecem e são superados naturalmente. Porém, em alguns casos, os sintomas permanecem por tempo demasiado longo e acabam por afectar o cotidiano. Certas mães pensam que nunca superarão tal perda.

Existem diferentes tipos de aborto:

- Morte perinatal -
Este tipo de morte refere-se àquelas que acontecerem a partir da vigésima semana de gestação até a primeira semana após o nascimento.

- Morte fetal -
Este tipo de morte acontece no último trimestre da gestação e dentro do útero materno. Também enquadra-se aqui a morte durante o parto.

- Perda espontânea -
É a perda que ocorre normalmente nas 12 primeiras semanas da gravidez. É inesperada.

- Interrupção médica da gravidez (IMG) -
Situação 1: interrupção da gravidez até a vigésima quarta semana, por causa de doença grave ou malformação congénita.
Situação 2: interrupção até a décima sexta semana de gravidez, quando a gravidez é resultado de um crime contra a liberdade e auto-determinação sexual.

As reacções psicológicas desencadeadas pela perda são variadas. Dependem muito do envolvimento da mãe com o filho, do entusiasmo da gravidez e outros factores. Porém, normalmente, a perda que ocorre no último trimestre da gestação tem maior impacto na mãe e na família. Sentimentos como raiva (em relação aos médicos, marido e outras gestantes), tristeza, culpa e frustração são comuns à esta fase. A mulher ainda pode apresentar ansiedade alterada em gravidez futura. Quando as reacções ficam presentes na vida da mulher por muito tempo e não conseguem ser resolvidas naturalmente, é necessário que se procure por ajuda psicológica específica.

O luto relacionado ao aborto espontâneo segue-se em 3 fases:

A primeira fase é de choque e negação. Aparece imediatamente após a perda e dura entre 1 dia e duas semanas. É normal que a pessoa não acredite no ocorrido e sinta-se perdida. Sintomas fisiológicos caracterizam-se em apetite reduzido, náuseas, desconforto geral e insónias.

A segunda é caracterizada pelo desespero e expressão da dor. A partir da segunda semana após a perda, esta fase aparece com força. A morte torna-se consciente e os sintomas de depressão acentuam-se. O comportamento é alterado e sonhos, assim como pensamento constante na pessoa perdida acompanha o ser. A raiva e a culpa (tanto em relação a si próprio, quanto aos médicos) está presente. Dura em torno de 6 a 8 meses.

A terceira fase é a fase de recuperação. O cotidiano torna-se mais alegre e o interesse pela vida aumenta e pelos relacionamentos aumenta. A morte começa a ser aceita. Chora-se com menos frequentemente e o sentimento de vazio vai desaparecendo. Pode durar semanas ou meses.

Algumas mulheres recusam-se a procurar apoio, o que faz com que os sintomas agravem-se e quadros clínicos de depressão podem tomar conta do cotidiano. É necessário apoio do marido e familiares para que a mulher consiga recuperar-se. Ouvi-la e estar presente é imprescindível para que ela sinta-se melhor. Nunca diga a ela que está a exagerar ou que foi melhor assim. Concorde com a sua opinião e tente, lentamente, mostrá-la que a vida continua e que o futuro aguarda outras coisas para si.

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3 Comentários para “Aborto espontâneo e suas consequências”

  1. [...] álcool constantemente na gravidez pode causar retardo mental no bebé, sem contar nos riscos de aborto espontâneo. Portanto, [...]

  2. [...] espontâneo Pequenas perdas de sangue são normais neste período, porém, podem indicar um aborto espontâneo ou gravidez ectópica. Por isso, esteja sempre em contacto com seu médico. O aborto espontâneo é [...]

  3. jose laerte vitoriano barboza diz:

    quais as consequencias do aborto espontanio

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