Sexualidade infantil

sexualidadeA sexualidade infantil ainda é um tema muito difícil de ser discutido. Porém, cada vez mais cedo as crianças se expõe às alusões ao tema, já que na televisão isso sempre acaba por aparecer.

A sexualidade é natural nos seres humanos. É uma função normal como todas as outras – comer, dormir… Sempre estimulamos o desenvolvimento da criança em todos os aspectos, mas a sexualidade muitas vezes fica de fora, por causa de preconceitos.

A curiosidade faz parte do desenvolvimento de toas as crianças e é comum que, se quando deparadas com o tal assunto, elas também queiram saber mais sobre isso. Muitos pais disfarçam e mudam de assunto, pois na sua maioria, não sabem como abordar o tema. Outros respondem ao achar que é natural e outros ainda utilizam palavras complicadas e as crianças ficam sem entender muito bem – o que gera mais curiosidade ainda. Era comum até há pouco tempo dizer à criança que ela foi trazida pela cegonha ou surgiu de uma flor. Porém, as crianças são muito mais expertas e sabem que isso é uma mentira, pois veem de diferentes fontes que o processo é diferente. Isso pode acarretar em um pouco de desconfiança em relação aos pais.

Sabe-se que a sexualidade inicia-se desde o nascimento e evolui até o final da fase adolescente. Uma sexualidade bem orientada e construída é essencial para que a personalidade e a capacidade de se relacionar afectivamente sejam devidamente desenvolvidas.

Quando o bebé nasce, ele já tem emoções e sensações já ligadas ao sexo biológico. Desta forma, é normal que o bebé irá procurar o prazer ao invés da dor, do sofrimento. Freud explicou que, primeiramente, o bebé passa pela fase oral. Esta fase é aquela que o bebé leva tudo à boca, que é a fonte de seu desejo. Mais tarde, quando ele já tem cerca de 2 anos, o bebé aprende a controlar os músculos esfíncteres – o controlo do xixi e do cocó. Freud chamou esta fase de anal, que é muito importante para a sexualidade, já que a criança percebe que ela mesma é que controla seu corpo e a região também é uma fonte de prazer.

Quando um pouco mais velha, aos 3 anos, ela já percebe também que existe uma diferença entre mulher e homem – ela então torna-se curiosa em relação ao seu corpo e pelo corpo do outro. Aos 4 e 5 anos a criança começa a aceitar-se a si mesma no seu gênero (rapariga ou rapaz) e o que está associado com esta “condição”. Ela também já se identifica com o progenitor do sexo oposto. Esta fase chamada de fálica é quando a criança consolida grande parte da sua identidade sexual. Os pais devem ver a sexualidade da criança como algo bem natural e tentar esclarecer de forma simples a curiosidade da criança em relação ao tema, na medida em que ela aparece.

Para saber mais ou menos o que a criança já sabe sobre o assunto, é interessante, quando ela perguntar-lhes sobre o assunto, perguntar à ela o que ela mesma acha sobre o assunto. Assim fica mais fácil esclarecer à criança de acordo com o que ela já sabe. Mas muito importante é explicar tudo sem tabus ou reviravoltas e utilizar palavras correctas. Se o adulto se demonstrar constrangido, a criança provavelmente vai associar a sexualidade com uma coisa proibida ou negativa. Se o adulto não responder à pergunta e fugir do assunto, as crianças vão tentar descobrir por si só. Se os pais não sabem como explicar, podem ter auxílio de um livro que aborde o assunto.

A auto-exploração do corpo é outra fase essencial para uma sexualidade saudável. A criança aprende desde pequena a brincar e buscar o prazer. Se esta fase for punida, a criança pode se sentir culpada. Os pais podem simplesmente ignorar ou dizê-la para fazer isso quando estiver sozinha. É importante também dizer a ela que entende que é prazeiroso e que está aberto para conversar. Claro que é preciso estar atento se a criança se masturba excessivamente ou em público.

Quando existem dúvidas ainda em o que responder e como fazê-lo às crianças, os pais podem pensar como foi é que descobriram a sua própria sexualidade. Quais as informções que não receberam quando eram crianças? Como gostariam que os pais tivessem abordado o tema consigo? Assim fica muito mais fácil entender a curiosidade dos filhos.

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